sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Sórdida Espiral da Exceção



Eu era um jovem rapaz durante a ditadura militar.

No apartamento em que morava na Tijuca -Rio- via abaixo de minha janela a relativamente próxima dependência do quartel da PE, onde era sabido se cometiam diariamente as maiores barbaridades em torturas e mortes.

Quase todo dia ao acordar olhava as instalações pela janela sempre com a mesma sensação de impotência e desconforto.

Mas depois o dia seguia... Trabalho, televisão, um cineminha, um chopinho e por fim dormir. 
E aí, ao levantar da cama no dia seguinte, debaixo da mesma janela, repetia o mesmo “ritual” que achava, iludido,  me penitenciava da minha impotência.  

Mas na medida em que os meses e anos se passavam nem mesmo mais olhava por essa janela e tudo passou a se incorporar e se dissolver nas importantes-inúteis e repetitivas lides cotidianas.

Agora, já velho, numa nova espiral, pelas windows do Facebook, assisto, mais cansado, mas com a mesma impotência, aos descalabros desses impunes "quarteis",  jurídicos, políticos e midiáticos, quer ativa ou passivamente, cercados de vergonhosa e sórdida exceção, omissão e covardia.

Quem sabe, com o tempo, acabe também me acostumando?
Ou...
Morrendo!

Paulo Azambuja

quinta-feira, 27 de março de 2014

A Grande Farsa do Voo 370 da Malásia




Amigos 

É bom que nos acostumemos com as constantes deslavadas desinformações que são tal como naqueles mundos das novelas de ficção que líamos nos anos 70. De agora em diante vai ser uma atrás da outra. 

Uma série de nada dissimulados absurdos se sucedem aos nossos olhos com descaradas desinformações oficiais que não geram nenhuma notícia, análise nem repercução. 

Só lembrando alguns:
  • O 11 de setembro
  • A bomba de Boston
  • A morte de Bin Laden
  • A morte num acidente de helicóptero de todos os militares que “participaram” da morte de Bin Laden
  • A "forçada de barra" sobre as bombas químicas na Síria  
  • O “suicídio” de mais de 20 banqueiros top

E agora com mais esse “fim de papo" absurdo dado pelo governo da Malásia sobre o voo do 777 como trago traduzido no artigo adiante. 

E isso significa literalmente nada menos que o seguinte:

Eles tem o controle total sobre o entorpecimento das mentes da grande maioria das pessoas e confiam totalmente nesse controle. Alguns (muito poucos) que veem quão descaradas e mal alinhavadas são as “explicações oficiais” e se indignam com elas são os estranhos no ninho cuja percepção e opinião é lhes completamente irrelevante.

Isso não vai ser assim. isso já esta sendo assim!

Paulo Azambuja

Agora vamos à tradução do artigo: 

Quatro dados que demonstram a grande farsa do voo da  Malásia


Depois de uma série interminável de relatos pelo governo da Malásia de falsos avistamentos de peças e de locais do famoso voo desaparecido, a última coisa que soubemos foi que o avião caiu em um determinado ponto e que todas as vidas se perderam. Esta explicação soa como um evidente encobrimento que está sendo completamente ignorado pela imprensa convencional. 

E estas são as razões:

1) Se o avião caiu no oceano, o impacto e os resíduos seriam facilmente descobertos. Um Boeing 777 não pode sobreviver ao impacto com o oceano e permanecer intacto. Simplesmente  não tem a integridade estrutural para sobreviver a tal impacto, que é muito parecido com o bater numa parede de concreto a uma velocidade de voo extrema. Se o voo 370 caiu no oceano, teria espalhado dezenas de milhares de peças, muitas das quais , obviamente, iriam flutuar na água (como as almofadas de assento) e seriam facilmente identificadas pelos equipamentos busca. A falta desses restos põe bastante dúvida na veracidade da versão do governo da Malásia .

2) A aeronave estava  transmitindo dados por pelo menos 4 horas depois que o transponder se apagou. Ninguém parece recordar esse dado. O voo 370 voou de 4 a 7 horas fora de sua trajetória prevista de voo. Podia ter se dirigido ao  Afeganistão, Paquistão, Irã ou mesmo Coreia do Norte. O  governo da Malásia simplesmente ignora esse fato e espera que todo o mundo o esqueça. Segundo eles, o avião caiu no Oceano Índico, sem voar muito tempo. Isso carece de qualquer sentido e não corresponde aos dados de voo recebidos pela Boeing .

3) Até o momento não há nenhuma prova para confirmar que o avião caiu no Oceano Índico .
Qual é a evidência do governo da Malásia que o voo 370 terminou no Oceano Índico e que "todas as vidas estão perdidas? "

Eles não têm provas. Não têm corpos. Não têm peças que confirmem que há um avião. Não há registros de voo. Não há avistamentos. Não há sinais de radar que registrem o avião voando sobre o Oceano Índico. Assim é que sob uma desculpa pobre e patética tentam encerrar o assunto e não reconhecer a sua própria incompetência por não serem capazes de seguirem o sinal do radar de um avião voando sobre a sua área. 

Essas completas faltas de evidências aéreas não impediram que o governo da Malásia anunciasse com a boca bem grande: "temos de assumir para além de qualquer dúvida razoável que o MH370 está perdido e que nenhuma das pessoas a bordo sobreviveram."

4) É claro que o transponder foi desligado manualmente, a fim de esconder a nova rota de voo do avião [e essa desligada intencional do transponder foi oficialmente considerada ao vivo por autoridades da Malásia. Lembram?].

Se o piloto do voo 370 era um suicida e queria jogar o avião no oceano, não haveria necessidade de desligar o transponder antes de faze-lo.

Na verdade, não precisa fazer todas as manobras complexas intencionais o que o voo 370 realizou  antes de desaparecer .

Agora fica  em suas mãos para acreditar nessa história ou não do governo da Malásia .



Veja também:

"Tudo indica que o avião desaparecido estará em Diego Garcia, uma base militar muito peculiar e importante dos EUA. A matemática para a quilometragem e o tempo vôo, coincidem perfeitamente com os factos apresentados aqui, para mostrar que essa busca permanente de um avião que caiu no oceano é simplesmente um logro. Acho que isto resume tudo sobre esta farsa, montada para encobrir algo secretamente muito pesado. Talvez um dia venhamos a conhecer os motivos desse desvio de rota. Basta ficarmos atentos. Temos que pesquisar e compreender o "modus operandi" de e como nos enganam com tanta facilidade."

Por Laura Botelho   

sexta-feira, 14 de março de 2014

Merkel se Prostituiu para Washington - Paul Craig Roberts

Paul Craig Roberts
Infowars.com
14 março de 2014


Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro para Política Econômica no governo Reagan e editor associado do Wall Street Journal. 
Foi  colunista da Business Week, Scripps Howard News Service, e Creators Syndicate. Ele teve muitos compromissos universitários. Suas colunas de internet têm atraído um público mundial. Seu livro mais recente, “O fracasso do Capitalismo de Laissez Faire e a Dissolução Econômica do Ocidente” já está disponível.
Washington, suportado por seus similares fantoches e estúpidas da NATO, está empurrando a situação da Ucrânia para mais perto da guerra.

A chanceler alemã Angela Merkel falhou com seu país, com a Europa e com a paz mundial. A Alemanha é a força da UE e da NATO. Tivesse Merkel dito "não" às sanções contra a Rússia, isso teria sido o fim da crise que está se formando em Washington, uma crise muito provável de terminar em guerra.
Mas Merkel jogou fora a soberania da nação alemã e atribuiu o destino da Alemanha como uma província do Império Americano. Assim Merkel e os fracos da liderança alemã endereçaram o mundo à guerra. Já responsabilizada pela 1 ª Guerra Mundial e pela 2 ª Guerra Mundial , a Alemanha vai agora ser responsabilizada pela 3 ª  Guerra Mundial.
O mal administrado por Washington Golpe de Estado ucraniano custou a Washington a Criméia, que Washington queria mais do que tudo, a fim de privar a Rússia de sua base naval nas águas mornas do Mar Negro. Além disso, a derrubada mal administrada de um governo eleito na Ucrânia está ameaçando também a perda das cidades russas do leste da Ucrânia. Como a Criméia, a Ucrânia oriental consiste em antigas áreas da Rússia que Khrushchev anexou à Ucrânia na década de 1950
No que é claramente um esforço infrutífero e inútil para obter de volta a Criméia, Washington está exigindo que a Rússia interfira na Criméia e evite sua secessão da Ucrânia. Se o governo russo se recusar a seguir suas ordens Washington anunciou que vai impor "sanções prejudiciais" à Rússia. Inicialmente, os países da UE expressaram a vontade de não ir junto com Washington, mas com subornos e ameaças, Washington conquistou Merkel e agora tem seus fantoches europeus alinhados seguindo suas ordens.
Washington entende que as sanções econômicas são uma muito menor ameaça para a Rússia do que a perda de sua base naval do Mar Negro. Também entende que Putin não pode abandonar os milhões de russos na Ucrânia oriental e meridional à mercê do governo anti-russo não eleito imposto por Washington, em Kiev. Como Washington sabe que sua ameaça de sanções está esvaziada, por que então Washington a faz?
A resposta é: isso é feito a fim de conduzir a crise a uma guerra. Os nazis neoconservadores de Washington vem agitando para a guerra com a Rússia por um longo tempo. Eles querem eliminar um dos três apoios restantes (Rússia, China, Irã) sobre hegemonia mundial de Washington. Washington quer terminar o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) antes que estes países formem um bloco de moeda separada e evitem o uso do dólar dos EUA .
Rússia vai responder na mesma moeda às sanções de Washington. Os povos europeus, os bancos ocidentais e as corporações vão sofrer perdas.
Levaria, no mínimo, dois ou três anos antes de Washington tevesse meios disponíveis para entregar o gás natural dos EUA para a Europa e tomar o lugar do corte de energia da Rússia.
A mídia “presstituta” ocidental vai dramatizar a resposta russa às sanções e vai demoniza-la, ignorando quem começou a luta, ajudando assim Washington a preparar os americanos para a guerra.
Como nenhum dos dois lados pode se dar ao luxo de perder a guerra, as armas nucleares serão usadas.
Não haverá vencedores.
Tudo isso esta perfeitamente claro, assim como foi a conclusão óbvia da marcha dos acontecimentos que antecederam a 1 ª Guerra Mundial. Agora, como então, as pessoas que anteveem os resultados são impotentes para detê-lo. Condutas dissimuladas. Excesso de arrogância e presunção. As declarações e ações tornam-se cada vez mais perigosas, e então há um inferno pela frente.
Americanos e europeus, se tivessem de todo alguma consciência estariam nas ruas protestando violentamente contra a próxima guerra para a qual os insanos criminosos em Washington estão levando o mundo.
Em vez disso, a chanceler alemã, o presidente francês, o primeiro-ministro britânico e a mídia “presstituta” ocidental continuam a mentir: Foi legítimo para o Ocidente roubar Kosovo da Sérvia e roubar o governo ucraniano, mas não é legítimo à população russa da Criméia exercer sua autodeterminação e voltar para a Rússia. Washington e seus fantoches da UE ainda têm a audácia de declarar falsamente, depois de derrubar um governo eleito na Ucrânia e de instalar um outro não eleito, que a autodeterminação da Criméia viola a Constituição ucraniana, que já não existe, porque Washington a destruiu.

O governo criminoso e insano em Washington tem pressionado o urso russo em um canto. 

O urso não vai se render.

Traduzido por Paulo Azambuja

quinta-feira, 13 de março de 2014

Adorando um Deus Impostor




Amigos:


A mensagem do vídeo que aqui apresento não é essencialmente para nós gnósticos uma novidade, mas tem em George Kavassilas uma expressividade muito particular porque ele não chegou a isso no sentido mental, intelectual, mas sim o vivenciou desde sua infância em contato com “seres de luz” que pensava serem a representação da verdade derradeira e absoluta. 

Foi quando em 2009 teve uma profunda experiência que se lhe desmascarou a farsa a que estava até então sendo submetido.

Fez então um série de palestras sobre essa experiência que estão editadas em vídeos em sua conta YouTube: George Kavassilas, sob o titulo “Our Journey & The Grand Deception”

Nesse meu blog editei em junho de 2010 uma postagem (“O Segredo do Sagrado") em que tratava, ainda de forma comedida, desse assunto no qual já citava a experiência de Kavassilas

Mais recentemente, em setembro de 2013, na medida em que essas revelações começam cada vez mais a se desvelar coloquei no blog a postagem "Deixando a Falsa Luz Para Traz" com uma experiência parecida vivida mais recentemente pelo esoterista americano Cameron Day

Se você quiser um aprofundamento mais abrangente leia também neste blog as postagens 


Para os que quiserem conhecer o ponto de vista gnóstico sobre esse Demiurgo (meio deus) ou Anthades em relação ao DEUS ABSOLUTO gnóstico veja a seguir o importante vídeo de Stephan Hoeller:





Ainda sobre o DEUS ABSOLUTO da percepção gnóstica veja também minha palestra "Atualidade do Cristianismo Gnóstico" que você pode obter tanto em livro como em uma série de clips na minha conta YouTube. Para acessá-los basta clicar nas respectivas marcas que aparecem na coluna da direita dessa postagem. 
Mais especificamente nos clips abaixo: 

"Atualidade do Cristianismo Gnóstico"
Fundamentos 1- O Universo da Criação

Fundamentos 2- O Universo da Queda


Fundamentos 3- O Universo do Retorno


Paulo Azambuja

segunda-feira, 3 de março de 2014

Mensalão – Homens ao Mar


Caros Amigos: http://bit.ly/1hvVuln


A Globo, a Veja, a grande mídia em geral, os políticos, os promotores, a maioria dos membros do STF na época (com graus diferentes de covardia, safadeza e mesmo bandidagem), todos sabiam muito bem - o que nem para os leigos seria difícil de saber, bastava observar e avaliar os fatos com uma inteligência mediana - que o julgamento foi pífio.

Eram todos eles plenamente conscientes disso e o faziam com um objetivo de dominação política bem caracterizado. A mim nenhum desses agentes surpreendeu e desde o princípio fizeram o que lhes era de índole própria, é o que sempre vinham e continuarão fazendo. São como aquele escorpião que convenceu o sapo a atravessar-lhe no rio no seu lombo, e... 

Estamos numa época “aquariana” demolidora em que as coisas vão surgindo e se desfazendo muito rapidamente, e isso é o que mais uma vez esta acontecendo com essa farsa toda. 

É claro que os agentes - os pastores do medo, do engano e da manipulação - por saberem o que estão fazendo desde o início, estão sempre preparados pra pular fora rapidamente. Daí os últimos artigos da Folha e do Globo (JN) bem como as declarações atrasadas e convenientemente “esclarecidas” de juristas, da OAB e correlatos, que poderiam perfeitamente ter se pronunciado desde o início, mas se omitiram oportunamente, e só agora, sabendo que o casco está furado, passam a ser os primeiros a postarem suas observações e posicionamentos tardios, livrando assim a suas respectivas caras. 

O que sempre me indignou nessa história desde o início (e então foi inesperado pra mim - mais uma coisa que lamentavelmente tive que aprender sobre a inconsciência humana) foi o grande contingente de pessoas de formação e cultura médias que eu via ao meu redor e mesmo na minha intimidade deixarem-se ser orquestradas, igual a uma claque do bispo Macedo, sob a batuta dos “pastores-Bonner” e dos “Templos-Globo-Veja” da vida que lograram fazer baixar em todos, o “Espírito-Seco” orquestrando aleluias e desconjuras, no momento e intensidade que bem entendiam.

A única expectativa que tenho é que o rebanho de ovelhas passivas que compôs a claque manipulada e agora abandonada da dominação do “Espírito-Seco”, aproveite esse interstício no transe como oportunidade para acordar e corrigir o seu - rogo vênia - “déficit civilizatório”.



Paulo Azambuja

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Um Gnóstico é Aquele Que....




Amigos:

Estou reproduzindo um trecho que esta no meu livro “Atualidade do Cristianismo Gnóstico” que na pag. 33 que comenta o dito de Teodoto acima. 

Coloquei ontem essa trecho na minha LT do FB o que deu a oportunidade de um dialogo com um amigo que reproduzo também mais abaixo. 

Esse texto de Teodoto nos evoca a carta I de Pedro no evangelho que diz: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional não falsificado para que por ele vades crescendo.”

Passemos então a comentar o texto de Teodoto:

Um gnóstico é aquele que... chegou a compreender, 

Isto é, retomou a consciência de, lembrou-se.
Como na parábola, o Filho Pródigo (Lc. 15, 11-32), que era o filho de um rei, tinha deixado seu reino de origem e estava no momento sob o jugo de um feitor sendo seu zelador de porcos. E assim ficou por muito tempo, dissipando suas energias conscienciais. Até que um dia ele se lembrou, isto é retomou a consciência de... De que?

[de] quem éramos. 

Éramos um ser humano original. Éramos um ser em eterna evolução no que é chamado fartamente nos evangelhos de A Casa do Pai ou o Reino de Deus.

e no que nos tornamos? 

Tornamo-nos no homem mortal preso, como é dito no budismo, na roda de Samsara na qual nascer, crescer, morrer, renascer..., é dor. A roda desse mundo, que não é a Casa do Pai.

Onde estávamos? 

Estávamos, como dissemos, na Casa do Pai. O Filho Pródigo não é nascido e criado no reino do feitor. O filho Pródigo tem uma origem, e essa origem é a Casa do Pai.

E para onde nos precipitamos? 

Para esse mundo, que é um termo muito usado em várias partes do evangelho. 'Meu Reino não é desse mundo', o nosso atual mundo, o nosso atual estado consciencial que gera, como resultante, esse mundo em que vivemos.

De que estamos sendo libertos?

Nós somos prisioneiros. Nós somos completamente prisioneiros! Toda a questão verdadeiramente relig-iosa, verdadeiramente Sagrada, não é uma questão de conservação da prisão, não é uma questão de melhoria da condição do preso - se bem que isso vem em acréscimo a todo o exercício religioso elevado - como diz o Sermão do Monte.

A questão fundamental da relig-ião, e muito especificamente da essência do cristianismo, é a questão da libertação desse mundo e a volta para o outro mundo, o mundo original, a Casa do Pai, como na parábola do Filho Pródigo.

Portanto, estamos sendo libertos do pecado original.

Pecado é uma palavra tão distorcida por esses dois mil anos que hesitamos em usá-la. Mas temos que usá-la, porque o seu sentido original é muito interessante e profundo. A palavra pecado quando originalmente usada nos textos evangélicos e apócrifos era a palavra grega “harmatia”. Essa palavra grega, que se transformou na palavra pecado e no sentido distorcido que agora traz, era uma palavra muito significativa para descrever de que estamos sendo libertos. Estamos sendo libertos de um erro original. E que erro foi esse? Esse erro foi a harmatia que era um termo usado para designar quando um arqueiro errava o alvo. Portanto harmatia é erro de alvo, perda de objetivo, desvio de um objetivo, de uma evolução.

Desviamo-nos de um alvo e assim pecamos, nesse sentido, de uma forma original, fundamental. E a partir desse pecado original, e por causa dele, nos aprisionamos nesse mundo, nesse estado de consciência. E sendo assim deveremos, primeiro que tudo, ser libertos do pecado original, isto é, do desvio de alvo que originalmente a consciência empreendeu, para que possamos retornar ao nosso mundo de origem.

Pecado, portanto, não é essencialmente uma deficiência de atitude, mas uma deficiência de estrutura, de fundamento.

O que é nascimento? 

Nascimento é a entrada na vida mortal do Filho do Homem ou, como diz Paulo, do Filho do Pecado.

E o que é renascimento? 

É a ressurreição consciencial do Filho de Deus. É o objetivo final que o cristianismo veio empreender para esses tempos.

O cristianismo (acima de qualquer denominação institucional) é o libertador da alma do homem, aprisionada nesse mundo por força de um estado consciencial de desvio de objetivo - a harmatia, o pecado original - e, desse erro, que ocasionou o estado de consciência e consequentemente o estado de mundo da morte, seremos resgatados pelo renascimento ou ressurreição, em nós, do estado de consciência original, anterior ao erro do alvo.

Isso, em resumo, é o que esse significativo texto de Teodoto nos diz, desde o ano 150 para nossa referência atual. 

Reiterando mais uma vez: o cristianismo do princípio é um cristianismo vivo, eterno, atual e está sendo redescoberto em toda a sua plenitude.

Segue-se o diálogo sobre esse texto que tive com um amigo do FB:

João Cláudio: Só que o que os gnósticos sempre disseram Paulo foi que o 'pecado original' não foi do Homem ( Antropos ) , simbolizado por Adão e Eva, mas sim da própria Divindade, ou um aspecto Seu , Sofia ... foi Sofia quem 'caiu' , e por causa disso , o Demiurgo veio a existir e , através dele e de seus asceclas , os arcontes , esse mundo decaído foi criado ... esse foi o 'erro do alvo ' original ... esse mundo em que vivemos , essa prisão , a 'Matrix' é o resultado.E é disso que temos que ser libertos 

Paulo Azambuja:  Oi João. Num contexto tão rico como o gnosticismo sempre houve variantes de interpretação em alguns pontos (não na essência mas em alguns aspectos também importantes). Assim também ser gnóstico é pensar e sentir a gnósis dentro de si e Hoje. Sendo assim mesmo que os gnósticos anteriormente sempre dissessem algo, o que, como disse, não foi o caso porque muitas vezes não há essa unanimidade; hoje, na "atualidade do cristianismo gnóstico" em cada um de nós podemos verificar DENTRO alguns aspectos e o que assim for percebido compartilha-lo. No entender do texto que coloquei (e isso traz implicações profundas sobre a responsabilidade-alma de cada um de nós e no entendimento do "processo de volta") o ser humano original não é um fantoche passivo perante a MANIFESTAÇÃO mas ao contrário é co-responsável por seu desdobramento e também pelos desvios que ajudou a criar sobre esses desdobramentos. Nesse sentido o ser humano original - de vontade própria - aceitou cair junto. (Há outra humanidade original que não aceitou cair ). Em consequência disso é a própria alma humana que tem que aceitar a volta - também de vontade própria (em auto endura - entrega). Na parábola do filho pródigo, acredito que esteja bem clara a sua responsabilidade em todo o processo.

João Cláudio:  Eu discordo, Paulo. Acho que esse não é o mito gnóstico original , acho que essa é a visão ortodoxa. Mas , tudo bem .Eu entendo que nós temos que ser ativos no processo de libertação, e que depois da Queda de Sofia e da criação desse mundo, nós contribuímos muito para a atual situação de caos e sofrimento , através das nossas ações inconscientes e mecânicas . Mas , esse mundo já estava corrompido e imperfeito muito antes de qualquer um de nós 'descermos' pra cá... o sofrimento já existia entre os animais , por exemplo ( sem falar em outros seres mais sutis , como elementais , anjos , demônios , deuses , Aeons e Arcontes ).Eu não me lembro de ter aceitado cair junto com ninguém... enfim, já que estamos aqui , agora é vermos como saímos.

Paulo Azambuja: Oi João. É muito interessante pois esse nosso diálogo aqui reproduz de alguma forma as correntes gnósticas chamadas dualistas radicais e as chamadas dualistas mitigadas. É assim mesmo. Uma vez quando ainda bem mais jovem recém participava de um grupo gnóstico o assunto "queda" estava sempre na ordem do dia do tipo "por que o homem caiu?" "por que deus deixou?" "Se voltar vai poder cair de novo?" e especulações clássicas desse tipo. Numa palestra que assisti ministrada por um senhor mais velho e com uma referência bem mais profunda do gnosticismo ele passou a ser açodado por uma torrente de aflitos questionadores sobre esse teor. No inicio chegou a tentar elaborar algumas idéias em resposta mas chegou em um determinado momento encerrou o assunto dizendo: " Olha eu não sei porque nem como caiu, não estava lá, mas o que eu sei hoje aqui agora com toda a certeza é que cair caiu! Então vamos continuar a palestra desse ponto e verificar como resolver essa bagunça.

João Cláudio: Bem, sob o ponto de visto teórico e histórico , eu continuo discordando, Paulo. Hoje em dia parece haver um consenso entre os acadêmicos que estudam o 'Gnosticismo' ( até mesmo esse termos, como você sabe, vem sendo questionado , já que ele foi um conceito desenvolvido no século 18, se não me engano ) afirmando que os Gnósticos propriamente ditos eram os chamados Sethianos ou Barbelognósticos, e que foi a partir deles que o mito fundamental dos gnósticos foi descrito, a versão alternativa do Gênesis e sua releitura, como descritos no Livro Secreto de João , a Realidade dos Arcontes , a Revelação de Adão, e outros textos Sethianos. Os chamados 'dualistas mitigados' eram, basicamente , os Valentinianos , que eram explicitamente cristãos (os Sethianos eram judeus platônicos) e tinham uma visão menos negativa do Demiurgo e do mundo (cosmos) , mas mesmos eles seguiam o 'script' original da queda delineado pelos Sethianos , basicamente o 'drama de Sofia'. Talvez os estudos sobre os gnósticos tenham avançado desde a sua juventude, Paulo ...mas , como você bem colocou , a questão para nós que estamos aqui e agora nesse mundo decaído é , como subir de volta ...? Mito , e os gnósticos mais que todos eu acho, servem para dar asas às nossas almas, expandir as nossas mentes e estimular nossas imaginações , e não nos prender em mais dogmas... escreva o seu próprio evangelho, viva o seu próprio mito!

Paulo Azambuja: O que mais espero que tenha acontecido não é que meus estudos gnósticos tenham avançado desde minha juventude mas sim que agora, já na 3a fase da vida, tendam a ser transcendidos. Porque penso que os estudos, inclusive os gnósticos, são tão somente setas (importantes) de "siga em frente". O gnosticismo não é uma ciência e menos ainda uma ciência exata. Tenho tido oportunidade de me situar em relação ao que entendo e principalmente ao que pretendo praticar em relação a gnósis - e não foi outro o meu objetivo ao empreende-lo - nos artigos que redijo, traduzo ou seleciono no meu blog. Dentre esses o mais acessado é o "O Segredo do Sagrado". Na segunda parte dessa referida postagem coloco um texto que fiz como apresentação para o lançamento do livro "Atualidade do Cristianismo Gnóstico" realmente acho que ali situo bem o meu pensamento e realço aqui quando falo das três formas (ou mesmo gradações) em que a gnósis hoje em dia esta se apresentando em mais ampla divulgação. 

O primeiro nível ao qual me refiro como "gnose-Dan-Brown", um segundo nível ao que me refiro como "a gnose acadêmica" : ' É a gnose acadêmica que nos permite hoje afirmar de forma incontestavelmente objetiva que o cristianismo gnóstico não é uma elaboração tardia entremeada de retalhos, feita a partir de idéias helenistas e de outras origens “pagãs’ acrescentadas posteriormente ao pré existente “verdadeiro cristianismo”, mas sim uma prática cristã autêntica ocorrida a um significativo número de pessoas desde os primeiros momentos da manifestação crística do primeiro século concomitante às formações ortodoxas... No entanto a gnose acadêmica se limita a elaborar estudos e conclusões dentro dos cânones reducionistas da prática científica. Não tem amplitude, por exemplo, para considerar como causa de uma autêntica manifestação gnóstica uma revelação subjetiva intensa e transformadora. Não cabe aqui nada de transcendente!' por terceiro me refiro a gnose espiritual sagrada: 'E essa Gnose, como a divulgamos nos fundamentos desse livro, se refere à determinação do espaço do Divino, do Sagrado, assim como ao estado e ao papel de nossa limitada e exaurida consciência egóica atual quando enceta o processo de re-lig-ação ao seu estado original.'

João Cláudio: Só um adendo : Em termos da 'Gnose Acadêmica ' , como você chama muito apropiadamente esse estudo acadêmico do 'Gnosticismo' Paulo , eu gostaria de citar nessa nossa conversa essa outra excelente entrevista , como o Professor Birger Pearson , que eu pessoalmente gosto ainda mais do que a do Prof. Brakke . http://www.youtube.com/watch?v=V_PYKZemDCI

Mas , concordo com você que o mais importante sem dúvida é a experiência da Gnose Sagrada , e essa é única para cada indivíduo , embora compartilhando uma certa visão de mundo em comum ( porque , como você sabe , quando tudo é 'gnose' , nada é ...) .Mas , é como na música , um mesmo tema pode ser interpretado com quase infinitas variações , embora nós saibamos reconhecer qual música está tocando ...pra quem tem ouvios para ouvir , claro ...só mais uma coisa : Quem acrescentou os mitos pagãos à estória de Jesus foram justamente os ortodoxos... mas, essa já é outra conversa.  Um prazer e uma honra conversar com você, Paulo. Abraço.

Paulo Azambuja: Pois é João que bom seria se todo o diálogo fosse do teor do que nós estamos empreendendo. Certamente com todo o 'direito divino' sigamos em frente com a nossa gnósis. Lá no centro dessa espiral esta certamente o SAGRADO esperando-nos para festejar nosso "retorno à Casa do Pai". 
Um abraço


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Nem "coxinhas" nem "rolezinhos" - sou vegetariano.


rolezinhoEu, como qualquer outro cidadão, gostaria de ter meus espaços públicos qualificados preservados e garantidos segundo sua destinação. Por exemplo: existem muitos espaços públicos caracterizados para as festas Funk. Certamente não irei lá levando o meu som alto tocando a nona sinfonia de Beethoven (até porque se o fizer, na hora, sem nenhum discurso ideológico, simplesmente me enchem de “porrada”, seja na Barra da Tijuca ou em Realengo). 

Da mesma forma se for a um cinema é para ver o filme e se houver alguma algazarra que me impeça, numa sociedade organizada certamente poderei contar com agentes que me garantam o óbvio direito esperado para dentro de um cinema. 


Se gosto de carnaval me espremo com todo prazer num bloco de Ipanema ou num trio elétrico na Bahia. Se não gosto vou para uma pousada na serra e se algum vizinho ligar o som carnavalesco posso perfeitamente pedir à gerência que me preserve o direito ao silêncio que busquei. 

E isso vale pra qualquer um: preto, branco, mulher, homem, periféricos, coxinhas, velhos, moços, sociólogos, cachorros,... Qualquer um que conviva em sociedade. Pode algo ser mais claro que isso? 

Mas na deterioração geral da consciência atual isso não fica nada claro não! 

Os antigos paradigmas e discursos políticos e sociológicos tipo: luta de classes, excluídos, leprosos... são completamente anacrônicos e não dão conta de nada do que esta acontecendo. 

Se for sexta ou sábado, você, que esta lendo tranquilo dentro de casa, tenho certeza que espera que hoje a noite o vizinho descasado não invente de novo dar uma daquelas festinhas animadas. 

Mas se ele inventar aproveite a insônia para meditar profundamente sobre as bases políticas e sociológicas do que esta acontecendo. Isso certamente vai te acalmar! Ou não?

O que ocorre é algo amplo global envolvendo vários eventos que muitas vezes parecem não ter nada a ver um com outro. 

E três palavras o descrevem bem: surto, alienação e caos. 

Só podemos observar e tentar aprender.

Um adendo:

Um Domingo no Shopping

Hoje fui almoçar num grande shopping aqui na zona sul do Rio.

Como sempre, havia jovens, velhos, pretos, brancos, pardos, tatuados, desmunhecados, machões, coxinhas engomados, periféricos de boné e bermudão...

Ninguém trazia crachá de favelado ou de mauricinho pendurado no pescoço e as portas estavam abertas e livres... Enfim o habitual.

Só que o seguinte:

Nos corredores do shopping se fazia o destinado aos corredores de um shopping: andava-se e se olhava as vitrines;

Nas lojas do shopping se fazia o destinado às lojas de um shopping: experimenta-se e comprava artigos;

Nos restaurantes do shopping se fazia o destinado aos restaurantes de um shopping: comia-se;

Nos cinemas do shopping se fazia o destinado aos cinemas de um shopping: assistia-se ao filme;

Nos banheiros do shopping se fazia o destinado aos banheiros do shopping: retocava-se a maquiagem ou fazia-se demais necessidades.

Certamente para mim e os demais frequentadores estava tudo bem, tudo normal.

Mas provavelmente para sociólogos em busca de uma tese ou ativistas em busca de revoltados “oprimidos” devia estar meio enjoado.  

Depois pequei o meu carro e fiz o destinado para se fazer num carro: parei no sinal vermelho, andei na minha mão, respeitei os limites de velocidade, conduzi segundo as regras do trânsito e assim chequei em casa.

E agora de chinelo e sem camisa estou fazendo o destinado para se fazer em qualquer sua casa (como também nas casas dos sociólogos e ativistas).

Só não sei até quando?      


Paulo Azambuja